Que noticias agradaveis SOBRE COPENHAGUE, Dinamarca para nós arquitetos e urbanistas.
Precisamos de mais Natalias, também correndo pelo interior do Brasil e levantando fatos positivos de qualificação urbana. Tudo isso poderá embasar futuras propostas para o nosso CAU, preferencialmente em trabalho conjunto com o IAB. Vamos também conhecer os nossos profissionais que atuam em cidades do interior dos estados, alguns deles com grande proximidade com o Poder publico e privado, mas atuando isoladamente, às vezes com resultados muito positivos, mas dificilmente divulgados, pois são eclipsados ( luz) ou mascarados ( som) pelos trabalhos dos grandes escritorios, estes sim, próximos ao poder economico e politico que funcionam como patrocinadores de formas generosas, permitindo que prédios se transformem em esculturas. Muitos talentos ficam no virtual, nos sonhos, nos desejos, por falta de oportunidade. Até mesmo os concursos públicos, que eu defendo pessoalmente, tem a falha de precisar de tempo e dinheiro para participar, e tenho certeza que isso é motivo de exclusão de pelo menos 80% dos arquitetos. Infelizmente, isso faz parte do mundo dos arquitetos, que na historia mostra, nos grandes projetos, a presença, ou de patrocinadores ( pais ricos, influencia politica, relacionamento social com a classe rica, quem indicou, etc) ou de recursos proprios, de família ( arquitetos fazendeiros, arquitetos empreiteiros, etc), que dificulta o acesso dos simplesmente diplomados, que não tem algum recurso facilitador que impulsione sua carreira.
Como disse o colega Joao Withaker num de seus artigos, a importancia dada à arquitetura de autoria, portanto de escritorios de profissionais liberais, ou até mesmo de arquitetura de grife, desmerece a produção de muitos projetos de qualidade, muitas vezes sem um UNICO autor, mas elaborado por equipes, assim como de projetos de pequeno porte, corretos, aliás, corretíssimos, feitos por profissionais SIMPLESMENTE COMPETENTES.
Talvez por uma questão de rotina de pensamento, os articulistas procuram sempre UM autor para os projetos, quando isso nem sempre acontece. Minha propria vida profissional demonstra o quanto eu contribui para solucionar e contribuir para que projetos de autoria fossem concluidos à contento, e depois apresentados como sendo de total concepção do AUTOR, ou dono do escritorio, eventualmente permitindo que sua equipe fosse mencionada. Mas colocar que esses projetos foram produtos de trabalho de equipe, jamais.
Participei também de grandes projetos em equipes de várias especialidades, cada uma delas absorvendo vários meses, vários anos de projeto e de supervisão de obras, em que o autor ficou sendo simplesmente a empresa de projetos.
Voltando as cidades ideais, temos a esperança de que no CAU os arquiteto possam estar mais proximos uns dos outros, com menos diferenças e mais sentimentos corporativos de uma grande familia de profissionais, e que os aspectos urbanos sejam focalizados com mais intensidade. As nossas cidades foram abandonadas pelos urbanistas, e estão hoje visivelmente desperdiçantes, poluentes, inseguras, desorganizadas e por que não dizer, feias e desagradaveis. Os politicos fecharam os departamentos de urbanismo em muitas cidades pois as propostas de obras que produziam para as cidades lhes pareceram incomodas e limitantes para as ambições dos politicos. Estes, optaram por adotar os projetos das empreiteiras que combinavam ganhos politicos e de dinheiro para todos em formas variadas de pagamento e recebimentos.
A visão de cidades ideais, para os empreiteiros e politicos, nessas condições, fica bem distante das Dinamarcas, lembrando que os politicos na Dinamarca nem sempre tem carros oficiais e despesas pagas pelo estado, e seus salários não diferem dos niveis salariais de funcionários públicos de carreira.
Daí que é importante que tenhamos muitas Natalias para nos informar onde estão as qualidades urbanas produzidas por inumeros profissionais simplesmente competentes, além, é claro, dos urbanistas de fama, portanto super competentes, e contar como conseguiram driblar essas barreiras das ambições políticas.
Mário Yoshinaga
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